Fui eu quem foi e se esqueceu de voltar.
Eu mesma que não ligo para mim há algum tempo.
Que sou incapaz de cumprir minhas próprias promessas.
Eu que encho minh’alma de esperanças infrutuosas.
Que aponto pra gente leviana e remo.
Eu que nunca me contento com a realidade, insisto nas ficções.
Talvez a razão do olhar fosco, seja culpa do brilho barato de papelaria que comprei na esquina daquele café.
Seja culpa do samba que fiz sozinha, mesmo sem saber sambar.
Quem sabe essa saudade não seja do meu próprio carinho e, do cuidado comigo mesma que não tenho tido a devida paciência em praticar?
Mas, moço, se a razão do caos for mesmo o meu sumiço, avisa aí que já estou de volta, já até cheguei. Estou pronta pra continuar.

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