domingo, 4 de novembro de 2012

Folha em branco... é a décima.



Preciso me libertar e só consigo isso ao escrever, no entanto, não sei o que dizer a mim mesma para explicar o que tem acontecido nos últimos dias e, talvez, me consolar. Um misto de certezas e incertezas que se contradizem e me torturam. Não sei quem eu sou, a mulher forte que havia me tornado foi embora, restou uma menina de 17 anos assombrada pelos mesmos fantasmas de antigamente. Uma frágil aposta do destino que nunca se resolveu e nunca se resolverá. A mesma ansiedade me corroendo, fazendo com que me sinta feia e sem alternativas, nesse momento ignoro a fila de pretendentes que chama ao telefone. Só um homem magro com olheiras me entenderia agora, mas ele é cercado de mistérios e eu sinto enjoo com seus mistérios e silêncio. Quero bater a porta na sua cara, mas já arranquei as portas faz um tempo. Quero gritar ao mundo que estou com saudade e necessito, mas tenho medo de lhe apresentar a fraqueza, de assumir o medo e, principalmente, tenho receio de, mais uma vez, deixar de dar as cartas, se é que ainda tenho cartas na mão ou na manga. Não tenho nada. Sou mulher nua sem máscaras. Sou a virgem tímida de antes, se não sou, estou como se fosse. Sinto frio e vazio, sinto saudade e vontade. Sinto tristeza. Tão triste estou que abandonei o sorriso e o resto da casa, prefiro meu quarto e os meus arquivos antigos de musicas, prefiro antes que agora. Preferiria, em sã consciência, o futuro e suas infinitas possibilidades, mas, insisto em olhar com carinho para o que nunca chegou de fato a acontecer.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

DIGNO DAS DEUSAS

Vida de solteiro é um luxo. Sinônimo de estar solta. Aquela liberdade que da gosto de pronunciar e então dizemos com a boca cheia: Não devo satisfação a ninguém.
Pode-se curtir churrasco na casa de qualquer que seja o amigo. Conhecer todas as novas boates da cidade. Esquecer o celular descarregado em casa tranquilamente. Pode-se, vejam só que coisa extraordinária, ficar em casa no sábado a noite simplesmente por preferir o edredom.
Para nós, mulheres contemporâneas, que temos tantos afazeres, estar sempre com as unhas pintadas, cabelos hidratados e depilação impecável para nos apresentarmos bem sete dias por semana torna-se um constante desafio.
Está certo que também não temos uma mão pra segurar ao andar na rua nem a quem telefonar logo no começo da manhã para desejar um bom dia. Entupimo-nos de chocolate de tanta ansiedade. Ansiedade consequente de três meses sem sexo e da quantidade de casais felizes que desfilam todo o tempo na nossa frente, como se nos repetissem, exaustivamente, a palavra solidão.
E qual é o problema? A gente também desfila! Desfila sozinha, em cima de um salto agulha, com quilos de delineador, gloss e blush na cara. E assim ficamos os mesmos sete dias por semana, pra estar sempre linda, porque, a qualquer semáforo desses, pode parar ao lado ele, o próximo que vai te fazer acordar e planejar ainda na cama todo o final de semana de sol, o chuvoso, as férias, o feriado prolongado... Aquele que vai te fazer puxar saco de sogra e, vejam só que outra coisa extraordinária, deixar de ser sozinha.
Ser solteira pode até ser um luxo, mas ter quem amar é condição digna das deusas. E qual a mulher que não está sempre em busca de paixão? Frio na barriga é combustível para a vida de uma feliz mulher do século XXI, assim como era para a vida de uma do século IV.

@LORI GOMES