Entrei
na faculdade aos 16 e tinha os 10 anos seguintes programados. Tinha também todas
as certezas do mundo e um discurso pronto e bonito sobre moral, ética e caráter.
Tratei logo de arrumar um emprego para startar o meu plano de independência
financeira. Claro que meu sucesso estava garantido. Apesar da pouca experiência
tinha sorte com os homens, boas amigas e uma mãe-mãezona. Não tinha medo de
nada. O mundo era meu e girava em torno do meu próprio umbigo. Eu me sentia O
Cara.
De
lá para cá, meu jeans aumentou, ao contrário do meu ciclo social. Me esqueci
quais eram os sermões sobre moral, ética e caráter, a vida nos deixa claro que
não é tão simples fazer divisões do que é aceitável ou não. Perdi todas as
certezas e não me tornei, nem de longe, nada de quem queria ser.
Não
sei em qual momento mudei de rumo. Talvez tenha me faltado o foco, você que me
lê pode dizer que isso é natural com a vida agitada que levo - não me importo e
até te dou um cadinho de razão - mas a verdade mesmo é que tenho vivido em um
ritmo delicioso e, sabemos que ser jovem é ter tempo para errar e tentar outra
vez.
Essa
fase de transição pode ser cruel com qualquer mortal, a gente percebe o peso da
responsabilidade e sente na pele que está na hora de se bancar; a casa dos pais
começa a ficar pequena e o universo e suas infinitas possibilidades parecem
berrar chamando o seu nome. Algumas mudanças assustam, mas ter medo de mudar é
se condenar a uma vida enfadonha e triste por falta de variedade.
Hoje
sou grata ao mundo que me mostrou - sob bordoadas - que não gira ao redor do
meu umbigo; e que levantar e continuar, sem perder o rebolado, é questão de sobrevivência.
Agora é trocar as velas e arriscar novos ventos. Não quero nunca reencontrar
quem fui. Não sinto falta do passado, sinto falta das pessoas que estão ao meu
lado hoje.
A
propósito, nunca deixei de me sentir O Cara.
L.
F.