sábado, 26 de janeiro de 2013

20 e poucos anos e o Despertar




Entrei na faculdade aos 16 e tinha os 10 anos seguintes programados. Tinha também todas as certezas do mundo e um discurso pronto e bonito sobre moral, ética e caráter. Tratei logo de arrumar um emprego para startar o meu plano de independência financeira. Claro que meu sucesso estava garantido. Apesar da pouca experiência tinha sorte com os homens, boas amigas e uma mãe-mãezona. Não tinha medo de nada. O mundo era meu e girava em torno do meu próprio umbigo. Eu me sentia O Cara.

De lá para cá, meu jeans aumentou, ao contrário do meu ciclo social. Me esqueci quais eram os sermões sobre moral, ética e caráter, a vida nos deixa claro que não é tão simples fazer divisões do que é aceitável ou não. Perdi todas as certezas e não me tornei, nem de longe, nada de quem queria ser.

Não sei em qual momento mudei de rumo. Talvez tenha me faltado o foco, você que me lê pode dizer que isso é natural com a vida agitada que levo - não me importo e até te dou um cadinho de razão - mas a verdade mesmo é que tenho vivido em um ritmo delicioso e, sabemos que ser jovem é ter tempo para errar e tentar outra vez. 

Essa fase de transição pode ser cruel com qualquer mortal, a gente percebe o peso da responsabilidade e sente na pele que está na hora de se bancar; a casa dos pais começa a ficar pequena e o universo e suas infinitas possibilidades parecem berrar chamando o seu nome. Algumas mudanças assustam, mas ter medo de mudar é se condenar a uma vida enfadonha e triste por falta de variedade. 

Hoje sou grata ao mundo que me mostrou - sob bordoadas - que não gira ao redor do meu umbigo; e que levantar e continuar, sem perder o rebolado, é questão de sobrevivência.

Agora é trocar as velas e arriscar novos ventos. Não quero nunca reencontrar quem fui. Não sinto falta do passado, sinto falta das pessoas que estão ao meu lado hoje. 

A propósito, nunca deixei de me sentir O Cara.

L. F.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Se eu gosto do doce?



- Gosto, mas me enjoo rápido, empurro o prato. Com gente - às vezes - é assim também, a gente até lambuza os dedos; depois quer o sal, o picante também tem seu lugar à mesa, nos dias. 


Por isso a inconstância. Ontem eu quis, hoje não serve. Um dia de cada vez, o passado e o futuro não existem, pois existe o Já. É o Já que alimenta e mata a sede, não as lembranças ou, quem sabe, os projetos.


Mudo tanto de lugar quanto mudei de posições preferidas, de sabor preferido, de cheiro de suor preferido... Nunca tive medo de abandono. Abandono eu mesma a sorte para reencontrá-la na esquina seguinte, nunca nos perderemos de fato. 


Estou certa de que apesar de ter conhecido o bom encontrarei o maravilhoso ali na frente e outras vezes mais, e quantas vezes mais. Sem medo. A única possibilidade que realmente me apavora é a de viver uma vida sem graça, com pouco brilho nos olhos.
 

Se eu gosto docê?
- Gosto, mas me enjoo rápido...

Lori F.