segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Sambou pelo samba no café da esquina


Fui eu quem foi e se esqueceu de voltar.
Eu mesma que não ligo para mim há algum tempo.
Que sou incapaz de cumprir minhas próprias promessas.
Eu que encho minh’alma de esperanças infrutuosas.
Que aponto pra gente leviana e remo.
Eu que nunca me contento com a realidade, insisto nas ficções.

Talvez a razão do olhar fosco, seja culpa do brilho barato de papelaria que comprei na esquina daquele café.
Seja culpa do samba que fiz sozinha, mesmo sem saber sambar.

Quem sabe essa saudade não seja do meu próprio carinho e, do cuidado comigo mesma que não tenho tido a devida paciência em praticar?

Mas, moço, se a razão do caos for mesmo o meu sumiço, avisa aí que já estou de volta, já até cheguei. Estou pronta pra continuar.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Faz de conta



Era uma noite wonderful na praia de Copacabana. A lua era cheia e linda, havia um planeta que olhando da Terra parecia tão pequeno, mas, que complementava a beleza da lua e embalava as canções de Stevie. Cenário perfeito para inspirar uma cantada barata e sincera de um paulista que o destino levou até ali. 

Entre seiscentas mil pessoas ela se divertia. Estava de férias na cidade maravilhosa, com coração e corpo livres para muitas emoções. Eles se encontraram, não podia ter sido diferente. Afinidade e sintonia. Uma alma especial realmente é capaz de reconhecer outra? Talvez seja essa a explicação. Dois sortudos, eu definira. 

Sorte dela ter encontrado um par de olhos claros e um humor ímpar. Sorte ter percebido de imediato a begnitude do homem com sotaque parecido com o seu em meio a gente de tantas origens diferentes.

O romance de verão teria durado pouco, não precisaria sobreviver a mais que um por do sol espetacular nas areias de Ipanema e a um almoço de despedida, mas, a tendência natural que pessoas afins têm de se unir se concretizou.

De lá para cá as conversas rotineiras mostraram para ambos que teriam mais em comum para compartilhar; histórias de vida semelhantes, sonhos e ideologias. Dois jovens adultos separados por 1338 km e unidos pela fantasia do faz de conta; faz de conta que eles estavam perto e que assistiriam juntos a outros pores-do-sol e também a jogos de futebol do corinthians como prova de companheirismo. Faz de conta que em suas respectivas cidades não existia mais nenhuma possibilidade de amor e que eles estariam novamente prontos para o reencontro, um dia.

Faz de conta que o dia estava para chegar.

Lori F.

sábado, 26 de janeiro de 2013

20 e poucos anos e o Despertar




Entrei na faculdade aos 16 e tinha os 10 anos seguintes programados. Tinha também todas as certezas do mundo e um discurso pronto e bonito sobre moral, ética e caráter. Tratei logo de arrumar um emprego para startar o meu plano de independência financeira. Claro que meu sucesso estava garantido. Apesar da pouca experiência tinha sorte com os homens, boas amigas e uma mãe-mãezona. Não tinha medo de nada. O mundo era meu e girava em torno do meu próprio umbigo. Eu me sentia O Cara.

De lá para cá, meu jeans aumentou, ao contrário do meu ciclo social. Me esqueci quais eram os sermões sobre moral, ética e caráter, a vida nos deixa claro que não é tão simples fazer divisões do que é aceitável ou não. Perdi todas as certezas e não me tornei, nem de longe, nada de quem queria ser.

Não sei em qual momento mudei de rumo. Talvez tenha me faltado o foco, você que me lê pode dizer que isso é natural com a vida agitada que levo - não me importo e até te dou um cadinho de razão - mas a verdade mesmo é que tenho vivido em um ritmo delicioso e, sabemos que ser jovem é ter tempo para errar e tentar outra vez. 

Essa fase de transição pode ser cruel com qualquer mortal, a gente percebe o peso da responsabilidade e sente na pele que está na hora de se bancar; a casa dos pais começa a ficar pequena e o universo e suas infinitas possibilidades parecem berrar chamando o seu nome. Algumas mudanças assustam, mas ter medo de mudar é se condenar a uma vida enfadonha e triste por falta de variedade. 

Hoje sou grata ao mundo que me mostrou - sob bordoadas - que não gira ao redor do meu umbigo; e que levantar e continuar, sem perder o rebolado, é questão de sobrevivência.

Agora é trocar as velas e arriscar novos ventos. Não quero nunca reencontrar quem fui. Não sinto falta do passado, sinto falta das pessoas que estão ao meu lado hoje. 

A propósito, nunca deixei de me sentir O Cara.

L. F.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Se eu gosto do doce?



- Gosto, mas me enjoo rápido, empurro o prato. Com gente - às vezes - é assim também, a gente até lambuza os dedos; depois quer o sal, o picante também tem seu lugar à mesa, nos dias. 


Por isso a inconstância. Ontem eu quis, hoje não serve. Um dia de cada vez, o passado e o futuro não existem, pois existe o Já. É o Já que alimenta e mata a sede, não as lembranças ou, quem sabe, os projetos.


Mudo tanto de lugar quanto mudei de posições preferidas, de sabor preferido, de cheiro de suor preferido... Nunca tive medo de abandono. Abandono eu mesma a sorte para reencontrá-la na esquina seguinte, nunca nos perderemos de fato. 


Estou certa de que apesar de ter conhecido o bom encontrarei o maravilhoso ali na frente e outras vezes mais, e quantas vezes mais. Sem medo. A única possibilidade que realmente me apavora é a de viver uma vida sem graça, com pouco brilho nos olhos.
 

Se eu gosto docê?
- Gosto, mas me enjoo rápido...

Lori F.


domingo, 4 de novembro de 2012

Folha em branco... é a décima.



Preciso me libertar e só consigo isso ao escrever, no entanto, não sei o que dizer a mim mesma para explicar o que tem acontecido nos últimos dias e, talvez, me consolar. Um misto de certezas e incertezas que se contradizem e me torturam. Não sei quem eu sou, a mulher forte que havia me tornado foi embora, restou uma menina de 17 anos assombrada pelos mesmos fantasmas de antigamente. Uma frágil aposta do destino que nunca se resolveu e nunca se resolverá. A mesma ansiedade me corroendo, fazendo com que me sinta feia e sem alternativas, nesse momento ignoro a fila de pretendentes que chama ao telefone. Só um homem magro com olheiras me entenderia agora, mas ele é cercado de mistérios e eu sinto enjoo com seus mistérios e silêncio. Quero bater a porta na sua cara, mas já arranquei as portas faz um tempo. Quero gritar ao mundo que estou com saudade e necessito, mas tenho medo de lhe apresentar a fraqueza, de assumir o medo e, principalmente, tenho receio de, mais uma vez, deixar de dar as cartas, se é que ainda tenho cartas na mão ou na manga. Não tenho nada. Sou mulher nua sem máscaras. Sou a virgem tímida de antes, se não sou, estou como se fosse. Sinto frio e vazio, sinto saudade e vontade. Sinto tristeza. Tão triste estou que abandonei o sorriso e o resto da casa, prefiro meu quarto e os meus arquivos antigos de musicas, prefiro antes que agora. Preferiria, em sã consciência, o futuro e suas infinitas possibilidades, mas, insisto em olhar com carinho para o que nunca chegou de fato a acontecer.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

DIGNO DAS DEUSAS

Vida de solteiro é um luxo. Sinônimo de estar solta. Aquela liberdade que da gosto de pronunciar e então dizemos com a boca cheia: Não devo satisfação a ninguém.
Pode-se curtir churrasco na casa de qualquer que seja o amigo. Conhecer todas as novas boates da cidade. Esquecer o celular descarregado em casa tranquilamente. Pode-se, vejam só que coisa extraordinária, ficar em casa no sábado a noite simplesmente por preferir o edredom.
Para nós, mulheres contemporâneas, que temos tantos afazeres, estar sempre com as unhas pintadas, cabelos hidratados e depilação impecável para nos apresentarmos bem sete dias por semana torna-se um constante desafio.
Está certo que também não temos uma mão pra segurar ao andar na rua nem a quem telefonar logo no começo da manhã para desejar um bom dia. Entupimo-nos de chocolate de tanta ansiedade. Ansiedade consequente de três meses sem sexo e da quantidade de casais felizes que desfilam todo o tempo na nossa frente, como se nos repetissem, exaustivamente, a palavra solidão.
E qual é o problema? A gente também desfila! Desfila sozinha, em cima de um salto agulha, com quilos de delineador, gloss e blush na cara. E assim ficamos os mesmos sete dias por semana, pra estar sempre linda, porque, a qualquer semáforo desses, pode parar ao lado ele, o próximo que vai te fazer acordar e planejar ainda na cama todo o final de semana de sol, o chuvoso, as férias, o feriado prolongado... Aquele que vai te fazer puxar saco de sogra e, vejam só que outra coisa extraordinária, deixar de ser sozinha.
Ser solteira pode até ser um luxo, mas ter quem amar é condição digna das deusas. E qual a mulher que não está sempre em busca de paixão? Frio na barriga é combustível para a vida de uma feliz mulher do século XXI, assim como era para a vida de uma do século IV.

@LORI GOMES

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Cantarolando


Descobri que a felicidade mansa é a melhor que há. É gentil e, não te traz euforia, presenteia com tranquilidade.
Batata!  Justamente o que eu andava pedindo em minhas quase orações: Paz. Era só o que eu precisava depois de tudo que passei nos últimos anos. Sensação de grandeza quando você percebe que foi agraciada por aquilo que mais precisava.
 Os bons ventos voltaram, dessa vez não arrancaram nada do lugar. Estou mais firme do que nunca. Consigo ser eu mesma sendo muito diferente do que costumava ser.
 Penso que descobri a melhor versão de mim mesma. Não tinha consciência de que podia ser fiel para com os meus sentimentos, mas eu posso.
 A alegria está com um ótimo emprego na minha vida e nunca foi tão bem remunerada. Aprendi a ser grata. Mesmo sendo impagável aprender, finalmente, o significado da palavra “confiança”;  beijar sabor cumplicidade; amar como se o gozo fosse durar para sempre; se aconchegar em um peito e se sentir acolhida, como se o abraço dissesse “meu corpo é sua casa” e é.
A gente cede moradia um ao outro. A fala é mansa, o respeito é visível e eu fico horas venerando você enquanto vives.
E quando você procura minha mão só pra segurar firme? E quando você me olha compenetrado como se não existisse mais nenhuma possibilidade de amor no mundo? E as dezenas de vezes que repete o quanto me acha linda do momento em que acordo até o em que me enfeito toda só para passear na rua segurando a sua mão?

Hoje eu me senti muito capaz quando te vi cantarolando no chuveiro.

Lori Gomes

sábado, 2 de julho de 2011

Repita o prato























Percebo seu ciúme. Seu tom d cuidado.
Desmanche essa pose de quem não se importa.
Repita o prato.
Lambuze-se. Embebede-me.
Pare e olhe.
Agora chegue mais perto e sinta.
O verbo é esse: Sentir.
Aonde você vai com essa postura de bom moço? Quero te seduzir!
Não quero te ou me apaixonar.
Só cuidar.
Cuide de mim também.
Sinta: Pele, cheiro respiração.
Perca a respiração. Transpire. Se umedeça.
Pegue as taças. Nos sirva o vinho.
Diminua a iluminação.
Esteja bem a vontade.
Aproveite esse tempo, pois o corpo é seu.
Esqueça as pessoas lá fora, as regras e a ética.
Segredo nosso.
Quero ouvir o seu prazer, quero morrer dele, só alguns minutos.
Não é preciso escolher. Você tem todas as opções ao seu alcance.
Você e esse seu poder de fazer com que tudo se dobre a você.
Sem renuncias.
Vivemos para gozar.
Goze a vida.
Avance! Sem cobrança.
Sem compromisso com o dia de amanhã.
Não vou te pedir nada, nada além do que pode me dar.
Não quero promessas.
Quero o toque, a presença e o presente.
Troquemos o olhar, as pernas e a saliva.
Vá fundo!
Sou mulher de alma limpa e vontades claras.
Ou negue a sua fome que visto a roupa e vou embora.
Não olho para trás.
Negue sua sede que seco essa excitação para sempre.
Basta dizer que não.
Você sorri.
Tem medo de perder o gozo e também tem medo de se perder em mim.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Tirando a máscara



Estou aqui querendo pular as janelas, mas não tenho forças para retirar as grades. Não tenho nada. Sou mulher nua de bolsos vazios e cara lavada. Cabelos cheirando a limpeza e uma alma suja. Suja de fraqueza, de fracassos. Incontáveis derrotas seguidas que perdi por não me encontrar.
Sou mulher de peitos muchos, gordura localizada e coração vazio.
Sou materialista e finjo que não sou. Sou incrédula e finjo que não sou. Sou pobre e finjo que não sou. Sou sincera e também finjo que não sou. Tantas máscaras para esconder esse peso triste. Esse desespero. Essa saudade. Pose de mulher forte, decidida e livre emocionalmente só para não desabar em lagrimas a cada vez que me perguntam se está tudo bem.
Vejo a pessoa descuidada que me tornei. Espinhas no rosto. Esmalte descascado. Pés calejados e nenhuma paciência para o mundo. Quando sou eu mesma a minha única companhia me descubro. Também me decepciono. Sem salto. Sem roupa. Sem maquiagem. Sem máscara. Eu e não o personagem feliz que todos conhecem.
A rotina tem me matado mais que o cigarro. Como se eu corresse todos os dias e não saísse do lugar. Será que é isso? Será que me esforço tanto em cima de uma esteira e não em uma estrada?
O que falta eu entender para conseguir um pouco mais? Só um pouquinho que seja de aceitação? Não aprendi a viver nesse mundo. Deus, o que falta para eu entender e melhorar?  Há tempos deixei de acreditar em plenitude. Deixei tanto amor ir embora sem ao menos me doer o coração.
Todas as pessoas que fiz sofrer por vaidade se refizeram. O mal ficou apenas em mim. Nunca me livrei da certeza de ter jogado amor fora. Amor não é coisa que se deixa de lado. E eu sempre deixei.
Não sou tão inteligente. Nem tão independente. Na verdade sou tão forte quanto uma borboleta de asas quebradas. 

28/04/11

quarta-feira, 23 de março de 2011

Digo quem sou e me torno quem eu digo, é pecado, mas é sempre

Parei de comparar felicidade com as fantásticas borboletas e fiz questão de ir atrás do que me atiça. Eu em priori de agora para frente, entendi que só com o coração salubre terei a competência de fazer bem ao semelhante.
Eu quero o doce salpicado de fel. Sou de partes opostas e acho bom. Alma de vidro e cara de pau. Sou bonita, pois sou mulher, só e unicamente por isso. Saí sem perceber dos trilhos da aparência que encanta, ganhei quilos, bochechas e um nariz imenso. As palavras me fogem, mas eu juro por Deus, tenho espírito de poeta. Filha de romance, sensível e utópica. Faço comida das possibilidades e atiro no lixo os olhares de ofensa.
Mestra em cortar vínculos. Todos os meus “te amo pra sempre” tiveram fins doídos. Mas isso não me mete medo não, o clímax sempre tem maior peso quando junto tudo, mesmo em cacos, e ponho na balança.
Não economizo salto em pista de dança nem em pescoços humanos. Não é crueldade, só alguns anticorpos que produzi nessa aflição por viver.
Falando nisso, quero dizer que pouco li, orei e festei, aprendi quase nada, não muito mais que você.
Espere de tudo na vida, de santidade à perversão, do mole ao impartível. Espere por muito dos outros, mas se responsabilize por suas expectativas.
É tudo verdade e, eu sei, clichê. Mas sempre vale a pena lembrar que a vida é bonita e que a qualquer hora se morre, é preciso aproveitar.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Jogador


Estou perdida em meio a um turbilhão de pensamentos e sentimentos. Confusa entre querer e não querer. Entre poder e não ter. Começo a ficar irritadiça, como se eu tivesse medo de apanhar para mim essa responsabilidade. Ah, o amor. O amor existe de várias formas, mesmo sem ser percebido ele está sempre presente em minha vida. Mesmo negado. Mesmo com a duração de um suspiro.  Contudo, exigente que sou, penso sempre em abandoná-lo. Sou fraca e não suporto. Sou forte e o engano. Talvez ele não seja para o meu bico e eu o troco sempre de corpo, de rosto, de cama.
Outro dia me peguei rabiscando um nome no caderno: “mas não é possível”, me recriminei na mesma hora. O que eu penso que estou sentindo. Declarar não é permitido. Que se chafurdem os outros nessa lama prazerosa, sem fundo, que não dá pé nem para mim e nem para ninguém. Eu prefiro não me meter com o que eu não conheço.
Fecho os olhos. A ansiedade já cortou todas as minhas unhas. A sala está vazia e o dia lá fora brilha. Eu estou tentando mudar o foco do meu pensamento. Costumava ser boa nisso. Só abrigava pensamentos que me traziam bem estar.
- Qual é o tom?
- O tom do som ou o tom da pele?
- O tom dos olhos!
- Não prometem...
- Mas que diabos, menina. Nem falsas promessas você recebe e está aí, se contorcendo nessa agonia.
- As coisas aconteceram com naturalidade.
- Desde quando?
- Perdi as contas.
- Saia já e vá ver a noite!
Escrevo nessas linhas com esforço. Quero discar o número do telefone que eu sei de cor. Mas não estou com saudade. Não vivo um romance. Não estou participando de um jogo, jogador, entenda isso. Tenho medo de ser rejeitada como um tomate defeituoso. Tenho medo de não me perdoar por poder me mandar hoje e agora e, mesmo assim, querer insistir mais uma semana. Essa não é mais uma história de paixão, é um desabafo. Um texto de não amor. De não espera. Um texto que nasce do estômago. Quero vomitá-lo e ficar livre outra vez.
- Enfia o dedo na garganta!
- Não sei se é a hora. Talvez eu possa desfrutar mais um pouco, talvez, na próxima semana, não seja tarde demais.
- Já é tarde. Você está com os olhos mais bonitos da cidade.
E ele tem o sorriso mais bonito da temporada. Ele tem os olhos verdes e o cabelo mais macio do que o meu. Vezes ele gargalha tão gostoso, parece uma criança. Vezes ele tem uma postura firme e uma voz grossa compatível com os trinta anos que já viveu. Vezes eu tenho vontade de sair correndo porque pela primeira vez eu encontrei um que conhece e joga o meu jogo. Eu sinto repugnância por ele ser tão esperto. Odeio a sua segurança. Odeio acordar tantas vezes no meio da noite com seus beijos leves e odeio mais ainda quando ele, segurando as minhas mãos enquanto dorme, cola o nosso corpo despido, porque esse gesto é excessivamente romântico e isso não é um romance. Odeio quando mulheres peitudas o olham desavergonhadamente e então ele me puxa para perto dele pela cintura, como quem diz que não é só, porque isso me faz sentir ridícula e feliz. Odeio a família dele por ser super simpática e ter me acolhido tão bem. Odeio o fato de eu ter passado os últimos quatro finais de semana na sua casa com minha trouxinha de roupa e ainda achar que preciso de mais um mês pra colocar um fim nesse não namoro.
Onde agora? Onde? Olho esse retrato e quero saber se perdi minha segurança nas suas pernas ou nas suas palavras.  Ainda sequer sei quem aqui dá as cartas. Como seu charme se chama? 


Ê, jogador, ou eu te conquisto ou você me devora.

Lorena F. Gomes

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Para o moço da grande cidade

Acredito em destino. Algumas pessoas precisam aparecer na sua vida. Seja para mudar a sua trajetória. Seja para te acompanhar em momentos sem precedentes e inesquecíveis. Tem gente que tem o dom de iluminar e de apaziguar. Gente capaz de te pegar no colo com um olhar. Que é companhia quente. Tem gente que mexe até com o seu sétimo sentido, te vira de ponta a cabeça (é metáfora! (ou não)), te faz perder a hora, o fôlego e o pé do brinco. Gente como você: tão incrível que  até lembra aquele super-herói com poderes e tudo.
O primeiro contato simplesmente acontece. Sem hora marcada nem aviso prévio. Depois  você se vê a remanejar agenda, querendo pegar estrada e inundado por um sentimento - que eu prefiro não dizer o nome - que te causa tanto leveza quanto tensão.
Achar que não há fundamento em largar tudo e ir voando te encontrar é ignorar a saudade que vezes me deixa com o coração estreito. É brincar de faz de conta: Faz de conta que não tenho sonhado nos últimos quinze dias. Faz de conta que não sinto zilhões de borboletas na barriga sempre que me liga. Faz de conta que sua voz não me dá força pra seguir em frente.
A minha imaginação é ilimitada e eu tenho fantasiado delícias com você. Tenho explorado em minha mente cada centímetro que lhe forma. É como mágica. Eu transformo a minha rotina em um conto, intercalo você entre as minhas tarefas e, torno possível qualquer contato. Funciona. Sei que funciona porque sempre que faço isso você se comunica. Os e-mails chegam e o telefone toca. Fico feliz, afinal comprovo a eficácia das minhas energias.
Sinto sua presença em vários lugares. Qualquer estranho de repente passa a ter o seu cheiro e eu fico te idealizando aqui, entre os passantes. Sinta você também o meu perfume de baunilha, ouça o som da ducha enquanto eu me renovo do nosso momento. Perceba como eu sorrio adocidadamente enquanto você me engole com esses olhos ternos. Consegue ouvir o que eu penso nesse momento de  inexplicável sintonia? Eu penso que é bom estar ao seu lado e, que você melhora o meu humor, me deixando ainda mais salubre físico e mentalmente.
Pra ser honesta tenho me sentido afortunada! Desde que te encontrei redescobri sensações sobrenaturais. E, pode dizer, tô até acreditando em historinhas de princesa encantada, porque você jura ser meu, mas mora na grande cidade.

Com saudade,


Lorena

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Nem toda morte é tristeza



A vida me surpreendeu outro dia com um fim brando. Assim, como se eu possuísse um membro em meu corpo que eu amasse e considerasse vital. De repente, não menos que de repente, pois foi mesmo sem esperar, sem querer. A coisa simplesmente saiu. Não, não pense que doeu. Foi sem violência. Eu nem senti quando chegou ao fim. E eu percebi que a sua não presença em nada me atrapalharia. Eu poderia andar com a mesma leveza e cabeça erguida. Continuava respirando. E o coração? O coração taquicardiaco como sempre.
Após esse fim pude passear em outras praias. Sentir novos cheiros. Pude, acordar e ir dormir sem me preocupar se estava conseguindo fazer alguém feliz. Se estava tudo confortável para ambas as partes. Se eu estava sendo reciprocamente respeitada. Passei então a dormir mais leve e mais cedo.
Depois desta surpresa benevolente percebi que uma desvenciliação como esta é tão saudável quanto manter uma dieta equilibrada. Saudável e natural. Faz parte da vida. E é bom percerbermos que é possível ser feliz sozinho. É lindo ver que eu me basto.
Tudo isso assim, sem esperar, sem querer, sem sofrer. Preservando as boas lembranças. Feliz e disposta a viver quantas outras histórias a vida me trouxer de presente.

Lorena F. Gomes

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Mineirinho

 escrito em terça 12 fevereiro 2008 

Disse a você que não tinha feito nada o dia inteiro, mas era mentira, eu passei todas essas horas te esperando. Queria que ligasse e dissesse que estava a caminho, que iria me buscar para jantarmos em um lugar calmo e tomarmos uma cerveja, depois eu queria te levar para a cama. Arranquei pêlos do corpo, pintei as unhas de cor clara, unhas claras dão à impressão de ingenuidade, me banhei com o sabonete que me deste de presente no dia do reencontro, de açúcar e canela. Olhei-me diversas vezes no espelho para me certificar que não era um daqueles dias que acordo mais feia e menos mulherzinha.
Eu estava ao seu alcance.
Não, não pense mal de mim, a gente acaba de se reencontrar e você não pode pensar mal de mim. Eu sou uma pessoa tão boa que não me importo de ser feliz. Felicidade é dom de gente que é livre e faz o que quer. E o que eu quero, o que eu tenho vontade, o que eu até sonhei nessa manhã calorenta, é você.
Ah, Mineirinho, os seus olhos me contam quando vêem os meus. É perfeita a compreensão entre eles, entre as nossas almas. Então, eu e você sabemos que esse querer não é só por tesão, que me mate de tesão também se puder, mas eu falo do que é maior, tem vigor e nos aproximou esses dias.
Nunca conheci vontade mais esquisita, da minha parte é claro, você nem me parece mais tão bonito como há sete anos atrás. Já tu, com certeza, não esperavas esse par de coxas grossas e o meu um metro e setenta em um, não é? Desculpa, não quero parecer vaidosa em demasia, observei bem o seu rosto que a barba insiste em tentar esconder. Nariz, boca e olhos continuam tão iguais, tão belamente sedutores. Vontade esquisita de te ter, esquisita por ser louca, rara e extravagante. Incontrolável vontade de você.
Pedi a intercessão de santo para descansar de você. Sim, eu estou cansada. Cansada de estar com você na alma por tantas horas. Mas a prece também não adiantou, não devo merecer, estou desejando o homem da próxima. Aliás, da próxima não porque gente é diferente de objeto e não pertence a ninguém, ainda mais você, que eu quero tanto pra mim, só se fosse pra mentir, só se fosse pra dizer que você é meu.
Você está até noivo, God, estou desejando com todas as forças do meu corpo de mulher fraca um homem que deveria estar ajustando casamento. Realidade, talvez cruel, mas não me pesa em nada na consciência. Só não vendo, não tocando, não aspirando o cheiro para que não fôssemos invadidos por essa vontade. Então seria preciso arrancar olhos, mãos e até o nariz se quiséssemos evitar esse estado de insanidade. Mas você queria evitar? Eu não. Faço tudo pelo frio na barriga. Gosto de sentir paixão, só assim me sinto inteiramente viva, só assim acho graça em existir.
Repito, insisto e declaro: não tenho medo. Medo da sociedade conservadora e estúpida que vivemos? Abrir mão de momentos por causa das regras da igreja que eu nem freqüento? Nem eu nem você, né? Você não é do tipo que vai a missas, faz campanha ante drogas, pratica esportes e tem postura de mocinho da novela das oito.
Mas homem atraente como você ainda não tinha encontrado. Não só a voz como o que fala, não só o olhar, mas o que você consegue enxergar. É mais homem que tantos com quem já estive, porque tem intrínseca delicadeza.

Lorena

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Perdeu-se a panca com a pancada


Trago com força. Tento assimilar a tarde de ontem. Palavras soltas. Leve ironia. O chão desaparecendo sob os meus pés.
Só mesmo comigo para acontecer uma dessa. Só mesmo com a louquinha que acha que viver bem é entregar-se a tudo que há. Só com quem bate no peito e berra aos cantos, interessados e desinteressados: "Just be free". Talvez nunca tivesse me sangrado tanto ser todos os instantes.
Com uma só pancada foi - se lentamente o sorriso, a admiração que nutria por você e, também o estar - se à vontade ao seu lado. Essa pancada tua fez ir embora até a minha auto - estima. E um homem que maltrata uma mulher ao ponto de fazê-lá sentir - se menos atraente não merece seguir ileso. Dá pra aceitar um monte de coisa, mas com a auto–estima de uma mulher não se brinca.
Um gole de café amargo. Mais um trago. A folha de papel parece sumir da minha frente. Embriago-me de rancor e fumaça. Neste momento eu trocaria todos os bons segundos que estivemos juntos para não ter que me sentir tão poste hoje, agora.
Eu via tanto de herói em você. Enxerguei os olhos ternos bem mais e primeiro do que os ombros largos. Sei que isso é exclusivo do universo feminino. Naturalmente, você não romantizou nem um gesto. Nem uma vez nem outra. A massagem, o cafuné... nada, você não sentimentalizou nada.
Não pense que eu fiz planos, eu não queria de verdade nada duradouro, não pensei no passo de depois. Mas assim não é certo. As máscaras não caem assim tão rápidas, caem?  Percebi que a figura heróica só mesmo existiu porque eu rabisquei dando forma, colori o interior e, ainda usei efeito de movimento, dando vida ao personagem.

Só eu mesma pra me perder numa reta.