segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Mineirinho

 escrito em terça 12 fevereiro 2008 

Disse a você que não tinha feito nada o dia inteiro, mas era mentira, eu passei todas essas horas te esperando. Queria que ligasse e dissesse que estava a caminho, que iria me buscar para jantarmos em um lugar calmo e tomarmos uma cerveja, depois eu queria te levar para a cama. Arranquei pêlos do corpo, pintei as unhas de cor clara, unhas claras dão à impressão de ingenuidade, me banhei com o sabonete que me deste de presente no dia do reencontro, de açúcar e canela. Olhei-me diversas vezes no espelho para me certificar que não era um daqueles dias que acordo mais feia e menos mulherzinha.
Eu estava ao seu alcance.
Não, não pense mal de mim, a gente acaba de se reencontrar e você não pode pensar mal de mim. Eu sou uma pessoa tão boa que não me importo de ser feliz. Felicidade é dom de gente que é livre e faz o que quer. E o que eu quero, o que eu tenho vontade, o que eu até sonhei nessa manhã calorenta, é você.
Ah, Mineirinho, os seus olhos me contam quando vêem os meus. É perfeita a compreensão entre eles, entre as nossas almas. Então, eu e você sabemos que esse querer não é só por tesão, que me mate de tesão também se puder, mas eu falo do que é maior, tem vigor e nos aproximou esses dias.
Nunca conheci vontade mais esquisita, da minha parte é claro, você nem me parece mais tão bonito como há sete anos atrás. Já tu, com certeza, não esperavas esse par de coxas grossas e o meu um metro e setenta em um, não é? Desculpa, não quero parecer vaidosa em demasia, observei bem o seu rosto que a barba insiste em tentar esconder. Nariz, boca e olhos continuam tão iguais, tão belamente sedutores. Vontade esquisita de te ter, esquisita por ser louca, rara e extravagante. Incontrolável vontade de você.
Pedi a intercessão de santo para descansar de você. Sim, eu estou cansada. Cansada de estar com você na alma por tantas horas. Mas a prece também não adiantou, não devo merecer, estou desejando o homem da próxima. Aliás, da próxima não porque gente é diferente de objeto e não pertence a ninguém, ainda mais você, que eu quero tanto pra mim, só se fosse pra mentir, só se fosse pra dizer que você é meu.
Você está até noivo, God, estou desejando com todas as forças do meu corpo de mulher fraca um homem que deveria estar ajustando casamento. Realidade, talvez cruel, mas não me pesa em nada na consciência. Só não vendo, não tocando, não aspirando o cheiro para que não fôssemos invadidos por essa vontade. Então seria preciso arrancar olhos, mãos e até o nariz se quiséssemos evitar esse estado de insanidade. Mas você queria evitar? Eu não. Faço tudo pelo frio na barriga. Gosto de sentir paixão, só assim me sinto inteiramente viva, só assim acho graça em existir.
Repito, insisto e declaro: não tenho medo. Medo da sociedade conservadora e estúpida que vivemos? Abrir mão de momentos por causa das regras da igreja que eu nem freqüento? Nem eu nem você, né? Você não é do tipo que vai a missas, faz campanha ante drogas, pratica esportes e tem postura de mocinho da novela das oito.
Mas homem atraente como você ainda não tinha encontrado. Não só a voz como o que fala, não só o olhar, mas o que você consegue enxergar. É mais homem que tantos com quem já estive, porque tem intrínseca delicadeza.

Lorena