Parei de comparar felicidade com as fantásticas borboletas e fiz questão de ir atrás do que me atiça. Eu em priori de agora para frente, entendi que só com o coração salubre terei a competência de fazer bem ao semelhante.
Eu quero o doce salpicado de fel. Sou de partes opostas e acho bom. Alma de vidro e cara de pau. Sou bonita, pois sou mulher, só e unicamente por isso. Saí sem perceber dos trilhos da aparência que encanta, ganhei quilos, bochechas e um nariz imenso. As palavras me fogem, mas eu juro por Deus, tenho espírito de poeta. Filha de romance, sensível e utópica. Faço comida das possibilidades e atiro no lixo os olhares de ofensa.
Mestra em cortar vínculos. Todos os meus “te amo pra sempre” tiveram fins doídos. Mas isso não me mete medo não, o clímax sempre tem maior peso quando junto tudo, mesmo em cacos, e ponho na balança.
Não economizo salto em pista de dança nem em pescoços humanos. Não é crueldade, só alguns anticorpos que produzi nessa aflição por viver.
Falando nisso, quero dizer que pouco li, orei e festei, aprendi quase nada, não muito mais que você.
Espere de tudo na vida, de santidade à perversão, do mole ao impartível. Espere por muito dos outros, mas se responsabilize por suas expectativas.
É tudo verdade e, eu sei, clichê. Mas sempre vale a pena lembrar que a vida é bonita e que a qualquer hora se morre, é preciso aproveitar.
